Cadeia leiteira requer redução de perda para ficar entre as 5 do país

Cadeia leiteira requer redução de perda para ficar entre as 5 do país

Mato Grosso tem condição de ampliar posição e se estabelecer entre os cinco produtores de leite do Brasil, no setor agropecuário em que o Estado lidera os primeiros lugares do país, com soja, boi e algodão.
A possibilidade foi apontada pelas direções da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e da Associação dos Produtores de Leite (Aproleite). Em geral, a pecuária leiteira local carece de informação básica, como identificação do custo de produção, alimentação dos animais e produto de qualidade.
E a empreitada requer redução de perdas e custos em cada etapa da produção para aumentar a produtividade e renda, a disseminação de assistência técnica e a utilização de tecnologias testadas do segmento.
O Estado ocupa a décima posição na atividade, com 2,3% da produção do Brasil e 707,1 milhões de litros em 2010. As percepções foram informadas por fontes do setor no evento da cadeia de produção do leite, sábado (20), na Fazenda Irmãos Santos, em São José dos Quatro Marcos, com palestras técnicas, práticas de higienização e nutrição animal.
Algumas das mudanças necessárias foram levantadas no diagnóstico elaborado em conjunto pela federação agropecuária e seu instituto de pesquisa (Famato e Imea) e a associação dos produtores (Aproleite). Os exemplos no rumo da cadeia são comuns do produtor à indústria.
“Hoje estamos em décimo lugar e o diagnóstico veio demonstrar que os produtores não têm conhecimento técnico de produção”, preocupa-se o presidente da Aproleite, Alessandro Casado. Os produtores não têm conhecimentos manejo de pastagem e pastagem adequada ao gado leiteiro, diz.
“E 81% dos produtores não recebem assistência técnica. Com pequena assistência a gente pode chegar em quinto em dois ou três anos, se conseguir levar conhecimento ao nosso produtor”, reforça.
A pesquisadora da recém-inaugurada Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop), engenheira agrônoma Roberta Carnevalli, endossa o potencial de crescimento.
“Mato Grosso tem excepcional capacidade de aumento da produção de leite, isso é inegável”, confirma. “Já que é para sair de décimo e ir para segundo, terceiro ou quarto produtor, então vamos produzir leite de qualidade. Hoje o mercado pede produto diferenciado”, recomenda.
O presidente da Aproleite acrescenta mais um detalhe que pode fazer a produção avançar em Mato Grosso. “Se for ver a média, vemos que a produção é de 2,7 litros dia por vaca. Isso é falta de conhecimento. Enquanto que se pegamos Estados do Brasil tem média de mais de 6 litros dia por vaca”.
Preço
Presidente da Famato, Rui Prado, segue a mesma linha de raciocínio. Ele não tem dúvida de que o segmento precisa se organizar mais e criar mecanismos de melhor discussão das políticas que afetam a pecuária leiteira. Por isso, diz, em outubro, a 7ª edição do Enipec será sobre leite.
Um dos pleitos, afirma Prado, é criação do conselho do leite no Estado (Conseleite). Ele anunciou em São José dos Quatro Marcos que a partir de agosto, a federação divulgará preço diário do leite. Ele citou passo importante da Lei Federal 12.699, que institui divulgação do preço do leite até o dia 25 de cada mês nos Estados.
“Entregamos o leite e ficamos sabendo do preço só no dia 15 do mês subsequente, às vezes dia 30, para saber o preço que vai remunerar nosso produto”.
Perdas
As perdas de produtividade e lucro, constata a pesquisadora da Embrapa, devem ser recuperadas em cada etapa da produção de leite, do plantio de alimento e nutrição do animal à ordenha.
“São centavos, perdido no coxo, na pastagem. O produtor tem que pegar cada centavo e no final do dia vai ter lucro que está perdendo”, diz com experiência de acompanhar a atividade. “É melhorar eficiência em cada processo, na cria do bezerro. Ir a cada local e anotar na caderneta. Ficar uma hora na criação de bezerra e ir sala ordenha e ver onde perde dinheiro”.
Mas Carnevalli diz que melhorar a eficiência em cada processo de produção não é simples, porque a atividade leiteira é uma das mais complexas na agropecuária.
“O produtor de leite tem que ser bom agrônomo, tem que plantar, colher. Tem que ser zootecnista e médico veterinário, porque o animal fica doente, tem que ser bom administrador. Ele tem que entender de mercado”.
Ou numa mensagem sintética. “Precisamos transformar o produtor de tirador de leite em empresário que ganha dinheiro com o leite”.
Irmãos Santos
A produção dos irmãos Santos é um caso a parte do diagnóstico da cadeia leiteira. Eles são grandes produtores pelo volume. E também pelo preço recebido de 0,76 reais a média pelo litro do laticínio Vencedor em São José dos Quatro Marcos.
Uma média acima dos grandes produtores do Estado, cuja cotação identificada no diagnóstico da cadeia é de R$ 0,71 o litro.
José Carlos dos Santos explica que quando iniciaram a atividade leiteira há cerca de 10 anos, a média por vaca era de 6 litros diários de leite, com 15 a 20 cabeças e produção de 70 litros dia.
Atualmente, são 12 litros, em torno de 90 vacas e 1.100 litros por dia. Há vacas com máximo de 30 litros litros e outras com produção mais baixa, em 6 litros diários.
Os irmãos começaram em 1981 a atividade agropecuária com produção de arroz, feijão e milho. A partir de 2002, iniciou atividade de leite. Há 10 anos a propriedade se dedica à produção de leite.
A inseminação responde por 80% do rebanho leiteiro atualmente e começou a ser feita há cerca de sete anos.
Apesar do tempo e experiência, os irmãos não têm custo de produção separado da pecuária leiteira e de cria e engorda.
Luiz Carlos dos Santos, diz que começaram a fazer levantamento no início deste ano. Ele cita a falta de organização e gestão como causas.
“Perdemos dinheiro em algum setor do trabalho, que a gente não está percebendo onde está deixando de ganhar dinheiro”. Afirma. “Sentimos necessidade fazer custo de produção de silagem, de produção de leite, medicação, o gado de recria e engorda”.
Ele lista como fatores para aumento da produção a leitura, informação, visita a propriedades, participação em dia de campo, palestras.
Fonte: Olhar Direto, adaptado pela Equipe Milknet
23/07/2012